Uma utopia chamada Brasil
A Seleção é um símbolo único do Brasil
A Seleção é um símbolo único do Brasil. Carrega esperanças, sonhos, encanto. E também representa nossas frustrações, misérias e decepções. Foi com a Seleção que a síntese entre Estado e Povo se concretizou e realizou a utopia de uma nação. A Seleção deu significado a nosso hino e à nossa bandeira para além das instituições formais do país, foi com nossos selecionados que o povo encantou-se com si mesmo e com o que somos, com o que podemos ser.
Torcer para o Brasil em Copas é algo que nos move e comove, a grande maioria dos brasileiros ainda ama e reconhece a nossa “melhor utopia”, ainda que seja sempre um amor por vezes não correspondido, ainda que seja um amor que toma a forma do autodesprezo, alias, eis uma característica marcante de nossa personalidade comum. Quando a Seleção entra em campo, até os indiferentes torcem, mesmo que seja contra.
Quando a Seleção perde, perdemos todos. É como um luto nacional. Mesmo os que mais “odeiam” a Seleção sabem que no fundo, no fundo, eles também perderam, afinal, somos todos inescapavelmente brasileiros (e não adianta vestir camisa de outro país, não somos o “gringo”, jamais seremos aceitos como “gringos”).
Na minha vida já acompanhei, vibrei e chorei em Copas - a primeira, a de 82, foi um trauma que levei no coração por décadas; o 7 x 1 foi um ato do absurdo, e virou meme, então dos traumas, o menor. Sim, hoje marca mais uma decepção. Mas se tem uma coisa que qualquer um que goste de futebol sabe, é que não é possível vencer todas.
Uma geração encerra seu ciclo. Quem de nós faria melhor? Uma nova geração inicia sua história. Que por nós, eles façam melhor. E que aqueles que cuidam de nosso futebol entendam que precisamos voltar às nossas raízes para voltarmos a ser vitoriosos.
“Não é um fim, é o início de um novo ciclo esta derrota.”
Essas foram as palavras de Carlo Ancelloti hoje na entrevista da derrota..Ou do novo comeco e que seja um futebol mais brasileiro, mais nosso, mais utópico. É isso. O Hexa vem, ainda que a bola insista em correr mais que os homens.




Eu admito que este câncer maldito das Bets me tirou a vontade de acompanhar o futebol brasileiro, mas de qualquer forma, texto muito bem escrito.